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Economia circular: o que é e quais seus benefícios

Atualmente é evidente a necessidade de se alinhar a economia com a sustentabilidade, e este tema  ganha cada vez mais força, sendo pauta principalmente entre os países “desenvolvidos”. 

A quantidade exacerbada de resíduos gerados e o consumo de recursos naturais, faz com que o sistema atual seja insuficiente, e necessita de uma transição do modelo de Economia Linear para Economia Circular.

Você sabe a diferença entre estes modelos? 

O modelo de Economia Linear baseia-se em um sistema de utilização de recursos com foco em extrair, produzir e descartar. Portanto, o que uma vez foi utilizado, não pode ser aproveitado para outro fim!

O que resulta em extrair gradativamente recursos para produzir mais e mais, e assim atender a necessidade da sociedade. Todo esse processo envolve um grande desperdício ao longo da cadeia produtiva, além de toda a energia que é gasta para realizar cada etapa.

Entretanto, a economia linear tem sido considerada uma forma de organização econômica inviável. Porque, a longo prazo, os limites planetários terão chegado a um nível insustentável de manutenção desse modelo.

Já o modelo de Economia Circular, apesar de relativamente novo no Brasil,  é baseado na redução, reuso e reciclagem e que vai contra a lógica atual dos padrões de consumo e produção (Economia Linear), e tem ganhado grande espaço. Este modelo leva em consideração todos os impactos existentes durante o processo, visando:

  • Aproveitamento total da matéria-prima;
  • Melhorias no design de produtos que sejam mais eficientes e que tenham uma vida útil maior;
  • Redução de energia utilizada durante a produção (assim como migração para energias renováveis);
  • Manutenção de bens que consiste nas etapas de desmontagem do produto usado, na limpeza de suas peças, na reparação ou substituição de peças danificadas;
  • Reutilização/redistribuição, regeneração e reciclagem, transformando resíduos ou produtos inúteis e descartáveis em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou qualidade.

A Economia Circular, visa englobar os famosos R’s como: Repensar, Reduzir, Recusar, Reutilizar e Reciclar, e estes já estão bem consolidados e inseridos em um amplo modelo de negócios. 

De maneira bem simples, para que você entenda, basta pensarmos nos resíduos orgânicos que são jogados na lixeira todos os dias, estes poderiam ser utilizados como adubo para a terra e os demais resíduos descartados no dia a dia poderiam ser encaminhados para darem origem a novos produtos. Um dos outros exemplos é o ciclo da água, em que nada é perdido ou descartado, com quase 100% de reaproveitamento.

Ao abordar sobre a Economia Circular, é comum a associação com a logística reversa, que já está mais consolidada no Brasil. A mesma possui conjunto de meios que leva a coleta e a devolução dos resíduos sólidos ao setor empresarial, e está diretamente ligada às etapas de remanufatura e reciclagem. Ambas remetem a responsabilidade que todos possuem pelo ciclo de vida de um produto, para que ele seja reaproveitado em seu ciclo produtivo.

Então, atitudes como a rotulagem ecológica de produtos, disseminação de informações sobre questões ambientais na mídia e cursos oferecidos pelas instituições de ensino são importantes para familiarizar a sociedade com a economia circular.

A Economia Circular e as indústrias

De acordo com pesquisas realizadas em 2019 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), para averiguar a situação atual do Brasil e das indústrias e o quão habituadas estão com a Economia Circular, constatou que, embora 70% das indústrias não tivessem nem se quer ouvido falar em economia circular, 76,4% delas já adotavam alguma prática do modelo. 

Grande parte das indústrias, após saberem o que de fato significa Economia Circular, acreditam que isto pode trazer retornos positivos para a empresa, como por exemplo, ajudar na fidelização de clientes, na melhoria da imagem e no aumento das receitas da organização. E muitas entendem que não adotar práticas sustentáveis pode acarretar em um custo maior.

Não há setor produtivo que não possa integrar a economia circular, contudo, existem obstáculos no Brasil, sendo estes, a falta de conhecimento dos empresários de médio e pequeno porte para acessar recursos, inclusive internacionais, que financiam projetos nessa linha e a ausência de incentivos econômicos governamentais. Sendo que os setores públicos deveriam ser os primeiros a adotar a economia circular na sua gestão.

Com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) que visa garantir a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, operação reversa e o acordo setorial, todos devem minimizar o volume de resíduos sólidos e adotar práticas que assegurem que os produtos sejam reintegrados ao ciclo produtivo, promovendo crescimento econômico na área dos resíduos.

A Economia Circular também possui um viés de fomentar a inserção de uma parcela da população que possui como única fonte de renda a venda de materiais recicláveis. Vale ressaltar, que estes são responsáveis por contribuir para o aumento da vida útil dos aterros sanitários e para a diminuição da demanda por recursos naturais, na medida em que abastece as indústrias recicladoras para reinserção dos resíduos em suas ou em outras cadeias produtivas, em substituição ao uso de matérias-primas virgens.

Entretanto, ainda existem algumas “barreiras”, pois na maioria das vezes estes atuam de forma autônoma, sendo o propósito da Economia Circular justamente o contrário, que é a inclusão em forma de criação de associações ou cooperativas, fornecendo qualidade no serviço. Infelizmente, o catador no Brasil ainda possui pouco respaldo por parte do governo e das empresas, no que se refere a sua contribuição para o processo de gestão de resíduos.

Benefícios de adotar a Economia Circular

Dentre as vantagens de ter uma economia fundamentada no princípio de Economia Circular, destacamos:

  • A conservação do meio ambiente e dos recursos naturais;
  • Produtos mais duradouros e inovadores; 
  • Diminuição da poluição;
  • Resgate da cidadania dos catadores/cooperados por meio da valorização do trabalho e não exploração do mesmo, retirando os catadores das ruas, dos lixões e de diversas situações insalubres;
  • Ao reutilizar produtos, não ocorre gastos com a aquisição de novos materiais para que ocorra a produção, e até mesmo o lucro a partir da venda dos materiais que não são utilizados naquele processo mas podem servir de matéria prima em outro;
  • Ocorrem melhorias no processo de produção, gerando bem estar e engajamento dos funcionários;
  • Um ganho significativo para a empresa é a valorização da marca perante a sociedade e o mercado, tendo em vista que é muito bem quistas empresas sustentáveis e ecologicamente corretas.
Andrieli de Souza Alves

Andrieli de Souza Alves

Engenheira Agroindustrial - Ênfases em Indústrias Alimentícias e Agroquímica

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