Contaminação do solo e águas subterrâneas

O resultado da atividade humana é a grande vilã da contaminação do solo e põe em risco a disponibilidade da água potável.

A contaminação do solo e das águas subterrâneas quase sempre acontece pelo resultado da atividade humana. Em áreas de grande concentração populacional em que o uso da terra é intenso, o solo e as águas subterrâneas estão, invariavelmente, vulneráveis a uma potencial poluição, seja ela intencional ou não.

Rio poluído com peixes mortos
Poluição das águas

Quando essa contaminação ocorre a recuperação da área degradada é difícil e muito custosa. São diversas as formas de contaminação do solo e dos lençóis freáticos. Podemos citar o descarte irregular de inseticidas, herbicidas, fertilizantes solventes, detergentes, fármacos, combustíveis, componentes eletrônicos e outros produtos químicos em geral.

As consequências desse tipo de contaminação são nefastas para o nosso meio ambiente. O desequilíbrio de ecossistemas, a saturação do solo, a formação de gases no subsolo, formação de lamas de esgotos na superfície, mudanças na densidade e consistência do solo, impregnação de substâncias poluentes são algumas dessas consequências que causam diversos efeitos como desfertilização do solo, extinção de plantas e animais, elevação das temperaturas do solo entre outras.

 

Os lixões e aterros irregulares presentes na maioria dos estados brasileiros são nefastos para a contaminação dos nossos recursos naturais.

Homens retiram peixes mortos de água que está poluída
Poluição do solo e das águas prejudica o meio ambiente

A presença de lixões a céu aberto e aterros irregulares é uma das incidências de contaminação do solo e dos lençóis freáticos através da disposição dos resíduos sólidos urbanos no meio ambiente sem os mínimos cuidados necessários. Milhões de toneladas de lixo são gerados anualmente no Brasil e um considerável percentual desse volume é disposto de forma inadequada em diversos municípios brasileiros. Mais da metade dos municípios brasileiros possuem algum tipo de situação irregular em relação a disposição dos resíduos sólidos.

Uma vez depositados no solo sem uma preparação adequada, esse lixo está exposto à precipitação e escoamento superficial da água das chuvas. A água limpa, uma vez em contato com o lixo, gera percolados de aparência escura com características tóxicas e altamente poluentes, chamado de chorume.

Os aterros sanitários são formas de disposição de resíduos sólidos urbanos com padrões aceitáveis, quanto a danos à saúde pública e ao meio ambiente, mais utilizados atualmente.

Estes empreendimentos possuem uma série de cuidados quanto ao controle e captação dos líquidos e gases gerados pelo lixo utilizando técnicas de engenharia para confinar os resíduos sólidos, cobrindo-os com camadas de terra na conclusão de cada jornada de trabalho, minimizando os prováveis impactos ambientais. No entanto, esses empreendimentos são de uma forma geral inviáveis economicamente para pequenas escalas.

Conforme estudos procedidos pela Fundação Getúlio Vargas e a ABETRE, os custos de implantação e operação de um aterro de pequeno porte (até 100 ton/dia) totalizam algo em torno de R$ 52,4 milhões, inviabilizando essas técnicas de disposição para pequenos e médios municípios.

Mas prefeitos e gestores públicos engajados em incluir seus pequenos e médios municípios em práticas sustentáveis e ecologicamente corretas devem buscar soluções alternativas para dar solução a este problema, pois cidades limpas e organizadas atraem turismo e investimentos. A destinação correta dos resíduos, assim como a oferta de água potável à população, impactam positivamente e diretamente os custos na saúde pública.

Afinal, qual prefeito não gostaria de economizar parte do seu orçamento e aumentar suas receitas para poder fazer novos investimentos em boas ações em prol da população?

O embolsamento do lixo como solução para a disposição inadequada do resíduo sólido urbano (RSU).

Mas nem tudo está perdido! Já existem formas viáveis e inovadoras de se contornar a problemática da má disposição do lixo nesses municípios de pequeno e médio porte brasileiros. Uma solução desenvolvida e aplicada no interior do Rio Grande do Sul foi o embolsamento do lixo em big bags.

Com o resíduo embolsado e isolado do solo permite que as águas subterrâneas fiquem preservadas. O embolsamento também permite que o resíduo sólido urbano coletado seja armazenado temporariamente para futuro processamento ou disposição definitiva. Essa técnica de confinamento do resíduo permite uma série de vantagens em relação às formas existentes de manejo dos resíduos, a saber:

  • Evita o contato dos resíduos com o meio ambiente;
  • Não atrai pássaros e animais domésticos e evita a proliferação de animais vetores de doenças;
  • Evita a contaminação do solo, do ar e dos recursos hídricos;
  • Previne que a pluviosidade da região se converta em chorume;
  • Elimina de imediato a disposição em lixões a céu aberto;
  • Permite acondicionamento adequado para processamento futuro do material embolsado.
Lixo embolsado no aterro evita a exposição dele no solo

Novas tecnologias como esta de encapsulamento dos resíduos estão disponíveis para aqueles que quiserem encarar o problema de forma corajosa. Corajosa porque essa metodologia de gestão de resíduos é uma forma disruptiva que provoca uma quebra nos padrões e modelos ou tecnologias já estabelecidas no mercado.

Vamos fazer diferente! Alternativas na área da gestão dos resíduos sólidos urbanos já surgem para que pequenos e médios municípios possam também se destacar e inovar nesta questão, até então desenhada para grandes municípios.

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